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Segunda-feira - 06/09/2010.

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Notícias
27/08: Nelson Pessoa e o negócio do hipismo:

Em entrevista ao Podcast Rio Bravo desta semana Nelson Pessoa Filho, a maior referência do hipismo nacional, fala sobre as tentativas do hipismo em se tornar um negócio no Brasil, discute o investimento em cavalos e cita jovens talentos do hipismo nacional. Nelson Pessoa Filho saiu do Brasil nos anos 60 e teve uma carreira prolífica nas pistas, incluindo o título de Campeão Europeu. Hoje é o proprietário do Haras de Ligny, na Bélgica, bem como de um centro de treinamento de cavalos, usado por equipes olímpicas de vários países. A íntegra da entrevista pode ser acessada em www.riobravo.com.br/podcast

O Brasil tem uma longa tradição de excelência no hipismo mundial, mais recentemente confirmada com a medalha de ouro do cavaleiro Rodrigo Pessoa. Ainda assim só nos últimos anos o hipismo tem dado os primeiros passos para florescer enquanto negócio no país. Nosso convidado hoje é Rodrigo Pessoa Filho, um homem cuja biografia perpassa todos os aspectos do hipismo enquanto esporte cultura e negócio.

Considerado um ícone no hipismo nacional, o Nelson tem um currículo de esportista tão distinto quanto o seu estilo de montaria. Duas medalhas de ouro e uma de prata em jogos pan-americanos, sete vezes campeão do Derby de Hamburgo, tricampeão do Derby de Hickstead, campeão europeu, vencedor de 150 GPs na Europa e quatro vezes campeão brasileiro. Como se não bastasse, ele é pai de Rodrigo Pessoa, campeão olímpico em Atenas em 2004.

1 - Há três anos o Brasil entrou no circuito internacional de hipismo com o Atina Onassis Horse Show, que foi realizado no Rio de Janeiro esse ano depois de dois anos em São Paulo. Por tudo que você tem visto diria que o Brasil está caminhando para se tornar um negócio auto sustentável ou falta muito ainda?

Essa oportunidade do concurso da Atina no Brasil foi realmente única. O prestigio do nome da Atina e o trabalho que eles estão desenvolvendo aí facilitou muito conseguir dar a importância necessária ao esporte, sendo que um concurso desse exigia da organização 10 ou 20 milhões de reais como outros esportes que temos no Brasil. No mínimo tem que ter o retorno disso parai mostrar o que é o espetáculo. Se fizer um torneio de tênis com jogadores de terceira categoria ou uma corrida de Fórmula 1 que não tenha os melhores carros e times você não tem público, não tendo público não tem esforço, não tendo esforço não tem espectador, então fica sempre a mesma coisa. A única solução é fazer grandes eventos para completar isso. Para interessar a mídia você tem que trazer qualidade de esporte de participação, esforço e público.

2 - Sendo uma potência agrícola, não seria lógico o Brasil ser um exportador de cavalos de salto? Por que isso não acontece?

Para chegarmos a ponto de exportar cavalos teríamos que exportar para meios que necessitam cavalos de uma categoria inferior àqueles que se produz na Europa. Os quatro países que produzem cavalos aqui na Europa - Bélgica, Holanda, Alemanha e França - produzem animais de alta qualidade. Criações de cavalo para o salto são criações que têm 100 anos, 50 anos, com pedigrees importantes etc. Temos uma criação no Brasil que está bem desenvolvida, tem muito criador que tem bons meios etc, mas ainda não podemos produzir cavalos com as origens que existem nesses quatro países que eu citei.

3 - Nelson, nas transações envolvendo cavalos de hipismo o preço dos cavalos tinha subido consideravelmente nos tempos pré-crise. O que aconteceu desde então?

Do ano passado para cá, o comércio de cavalos acalmou muito. A grande locomotiva de compra de cavalos são os americanos e foram eles os que mais sofreram com a crise.

Não há aquela procura que havia há dois, três anos. Se bem que essa grande procura por cavalos importantes e caros que são os olímpicos acontece dois anos antes da Olimpíada e nós estamos em um ano pós-olimpíada, então sempre acalma um pouco. Ainda mais com a crise, a procura é menor, a oferta é grande, então os que vendem cavalos tem que ajustar os preços para poder interessar as pessoas. Realmente deu uma acalmada muito grande em 2009.

4 - Os cavalos de hipismo são vistos como investimento ou os compradores são pessoas que têm prazer em ter cavalos. O que você tem visto na Europa?

Existem as duas coisas ao mesmo tempo. Gente que faz investimento, mas sempre pessoas que têm prazer em possuir cavalos e assisti-los competir nas provas internacionais etc. Praticamente não existe alguém que coloque dinheiro em cavalo só como investimento, as duas coisas vão juntas. Às vezes não é um negócio certo. Eu comparo o cavalo de esporte a um jogador de futebol. Pessoas compram jogadores jovens e os põem jogando em times menores até que tome valor, mas não é todo que saem Ronaldinhos, Ronaldos e Romários, que ganham uma valorização muito importante. A base dos investidores é de ter prazer, se o investimento não funciona, pelo menos ele deixou prazer.

5 - Qual é a qualidade técnica dos haras no Brasil?

Dos que eu conheço estamos muito bem. Os cavalos estão bem cuidados, temos bons pastos, os veterinários são excelentes, transferência de embriões etc. Não deixamos nada a dever quanto a isso na Europa. O que temos que melhorar é a qualidade de sangue dos cavalos, levar para o Brasil sangue dos cavalos e das éguas reconhecidas no mundo como grandes matrizes. Quanto à qualidade técnica, estamos muito bem.

Não estou dizendo na produção de todos cavalos, e sim na criação do animal depois que nasceu. A partir desta fase, tenho algumas criticas a fazer sobre a preparação dos cavalos, que no Brasil está muito acelerada e talvez nós estejamos estragando alguns produtos que poderia ter melhores resultados por estarem um pouco forçados e acelerados em sua preparação.

6 - No esporte você teve a felicidade de ter um filho campeão olímpico que se dedica hoje a clínica de equitação com jovens. Além do Rodrigo você tem visto outros talentos promissores no Brasil?

Claro que nós temos cavaleiros que são reconhecidamente excelentes e que estão atuando no cenário mundial, como Álvaro Miranda, Bernardo Alves. Mas agora tenho visto jovens de 14, 15 anos excelentes em Belo Horizonte, Recife, São Paulo etc. Realmente valores que merecem apoio das famílias porque são jovens que gostam de cavalos, são dedicados. Espero vê-los no futuro brilhando em competições.

7 - O hipismo é um esporte que envolve dedicação, disciplina, organização e trabalho em equipe. Tem muito a ensinar a várias outras atividades humanas, não?

Dedicação, disciplina, organização e trabalho são as qualidades e requisitos para qualquer profissão. Os cavalos são os melhores professores dessas coisas. Sem esses quatro itens aqui não se consegue absolutamente nada. É uma escola da vida absolutamente extraordinária. Tem que respeita-los e seguir com tudo isso, dedicação, disciplina organização e trabalho.

Fonte: Carla Assemany Comunale - SPS Comunicação - www.spsbr.com.br

   
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